Moradores de Rua articulam Audiência Pública para denunciar extermínio e violência

Os moradores de rua estão de luto e em luta para acabar com as mortes, agressões, espancamentos, linchamentos e queima de barracos que aumentaram muito desde o começo de 2017. Nos cinco primeiros meses do ano pelo menos seis crimes aconteceram, entre eles o assassinato de dois integrantes do Jornal Boca de Rua. Rodrigo faleceu depois de ser brutalmente espancado por torcedores de futebol. Paulinho levou quatro tiros diante dos poderes do céu e da terra- legislativo, executivo e judiciário, além da catedral metropolitana- em pleno dia, na Praça da Matriz. Deles, sobraram muitas lembranças e duas camisetas. A de Rodrigo era de um time, assim como a de seus agressores. A que Paulinho vestia era verde, com um única palavra escrita em letras amarelas: Brasil.

Por tudo isso – e muito mais- a Alice e o Boca de Rua se uniram ao Movimento Nacional da População de Rua (MNPR)/RS para articular a realização de uma Audiência Pública sobre o tema, marcada para o dia 24 de maio, às 10 horas no Teatro Dante Barone da Assembléia Legislativa (AS). Para subsidiar os deputados integrantes da Comissão de Cidadania, Justiça e Direitos Humanos da AS, o Jornal Boca de Rua preparou um dossiê das mortes e agressões recentes, com base nas matérias da última edição, já em circulação nas ruas de Porto Alegre.

Na reportagem do jornal, é possível constatar não só o aumento numérico, como também a diversidade dos agressores. Isso desmonta a tese fácil, disseminada pela polícia e pela grande imprensa, de que a violência é uma exclusividade do tráfico de drogas. Policiais e ditos “cidadãos de bem” são os protagonistas da maioria dos casos apurados, sendo que existem fortes evidências da formação de milícias.

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