Inaugurado memorial em homenagem aos mortos, desaparecidos e torturados de Ibiúna

No dia 20 de março foi inaugurado memorial em homenagem aos mortos e desaparecidos durante a ditadura militar, na cidade de Ibiúna, São Paulo. O painel, projetado pela artista plástica Cristina Pozzobon, foi produzido em aço Córten e, nele, estão as fotos dos 23 mortos pela repressão. Do outro lado do memorial está a lista com o nome dos 719 presos e torturados durante o regime. O painel é permanente e está localizado  na Praça da Matriz da cidade de Ibiúna.

 

 

 

 

 

Detalhes

Cinco mil pessoas participam do projeto Direito à Memória e à Verdade no FSM 2010

 Foto de Paulino Menezes

 Foto de Paulino Menezes

 Vocal Mundi, com integrantes reunidos especialmente para o Ato show aos que morreram na luta por um Brasil livre

“Presente!”- gritaram as cinco mil pessoas que assistiram ao ato-show em memória dos que lutaram por um Brasil livre durante a ditadura militar, realizado no dia 27 de janeiro, durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. O show fez parte da programação do projeto Direito à Memória e à Verdade, desenvolvido há dois anos pela Fundação Luterana de Diaconia (FLD), Agência Livre para Informação, Cidadania e Educação (ALICE) e Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR). Ainda durante o FSM foram montadas duas exposições fotográficas, uma peça teatral e dois seminários, um deles com a presença do professor português Boaventura de Souza Santos.

 Foto de Paulino Menezes

Boaventura de Souza Santos  no debate 

"Impunidade: as marcas da ditadura nos direitos humanos"

 

Os painéis fotográficos permaneceram na estação do Trensurb de São Leopoldo- uma das cidades sedes do Fórum descentralizado de 2010- e na Usina do Gasômetro- principal ponto de referência do FSM na capital gaúcha. Também junto à Usina o grupo de teatro de rua Ói Nóis Aqui Traveiz encenou, no dia 27, o espetáculo “O Amargo Santo da Purificação”, que relata a saga de Carlos Marighella. Logo após, ao final da tarde, teve início o ato-show, com a presença das bandas Serrote Preto, Freak Brotherz, Pata de Elefante, Pública, Roda Viva e Sombrero Luminoso, além do Coral Mundi e do cantor e compositor Nei Lisboa, irmão do desaparecido político Luiz Eurico Tejera Lisboa.

 

 Foto de Paulino Menezes

O vocalista da Freak Brotherz no Ato show aos que morreram na luta por um Brasil livre

 

Os dois seminários trataram das Marcas da Ditadura nos Direitos Humanos, e ocorreram no Plenário Ana Terra da Câmara Municipal. No dia 27, das 14 às 16 horas, o tema foi mediado pelo secretário executivo da FLD, Carlos Gilberto Bock e analisado sob a perspectiva dos sobreviventes pelo jornalista Bernardo Kucinsky; a secretária de Direitos Humanos do Recife, criadora do grupo Tortura Nunca Mais naquela cidade e ex-presa política Amparo Araújo; o secretário executivo do Arquivo Nacional da Memória da Secretaria de Direitos Humanos da Argentina, Carlos Lafforgue; e o professor universitário e membro da Comissão de Anistia, José Carlos Moreira Filho. 

No mesmo local e horário, um dia depois, reuniram-se Boaventura de Souza Santos – catedrático da Faculdade de Economia e diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Marcos Rolim – jornalista e sociólogo, e Domingos Sávio da Silveira- procurador da República. Na ocasião, o enfoque foi a Impunidade. Ainda no dia 28, Bruno Viveiros e Rafael da Cruz Alves, estudantes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentaram o projeto República, desenvolvido pela instituição mineira e que reproduz um amplo mosaico cultural, econômico e político da época ditatorial, a partir da história de cada um dos mortos e desaparecidos brasileiros. Após o encerramento do evento, parte do público que lotou o local, permaneceu para ouvir um longo relato das atrocidades cometidas durante o regime, feito por um dos participantes, o advogado carioca e ex-deputado federal Modesto da Silveira. 

Em ambos os seminários, os debatedores esmiuçaram as cicatrizes e mutilações deixadas pela ditadura na sociedade brasileira, mas principalmente, as feridas ainda vivas e persistentes na área dos direitos humanos. “Existe uma aliança sinistra entre aqueles que gozavam privilégios no passado e os que têm privilégios hoje. Por isso, não há interesse em garantir o direito à memória, à verdade e à justiça”, resumiu o professor português. 

 

 

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